Maninhos do Mano

Fato mais que comprovado, o trabalho de longo prazo feito por treinadores nos times de futebol é o que traz melhores resultados, e os mais consistentes também. Já tivemos bons exemplos disso aqui no Brasil. O de mais sucesso nos últimos tempos vem sendo o de Muricy Ramalho no comando do Tricolor Paulista.

Mas quem caminha a passos largos para ser um dos mais expressivos trabalhos de um treinador nos últimos tempos é Mano Menezes. A trajetória do treinador do Corinthians é mais que conhecida. A mais coberta pela mídia, e não serei eu quem vai repetir tudo por aqui. Mas sim, quero enaltecer o trabalho que vem sendo feito junto às categorias de base.

Em 2007, quando o time passava a pior fase de sua história, foi solto nas mãos de Carpeggiani um garoto chamado Bruno Bonfim. Dentinho, como todos o conhecem foi jogado numa fogueira e naquele ano mais na reserva que atuando, não mostrou um bom futebol. Na época tinha 18 anos.

No mesmo ano, um outro garotinho de apenas 16 anos foi incorporado ao time principal do Corinthians, sendo pintado como o salvador da pátria pela trajetória vencedora fenomenal que havia traçado nas seleções de base brasileiras. Luís Marcelo Morais dos Reis, o Lulinha, com apenas 17 anos era titular do clube com a segunda maior torcida do Brasil, caindo para a segunda divisão. Resultado: Um garoto assustado que não rendeu e se queimou com a torcida.

A luta que este garoto tem para tirar a má impressão sobre ele e traçar um novo caminho no Corinthians vitorioso de hoje se confunde ainda com as pernas do jogador. O excesso de vontade atrapalha um garoto de 19 anos recém completados. A pressão sobre ele é extremamente pesada para um jogador que está começando sua carreira. Erros atrás de erros que podem acabar dizimando um futebolista promissor.

Erros estes que Mano Menezes não quer cometer e não comete. Além de tentar de todas as formas ajudar Lulinha nesta caminhada, faz um ótimo trabalho junto a outros jogadores do vindos do "terrão". Logo após a Copa são Paulo de futebol júnior, da qual o Corinthians sagrou-se campeão, três jogadores subiram para o time principal. Boquita, Bruno Bertucci e Marcelinho, o destaque corintiano. Antes disso, ainda no primeiro semestre, depois também de uma copinha, o zagueiro Renato, então Renatinho, foi chamado ao grupo principal de Mano Menezes.

Colocar pra jogar? Muita calma nessa hora.

Não é exclusividade do Corinthians. Os trabalhos de base no Brasil são muito eficientes. Trabalha-se mais para ganhar torneios e Copas São Paulo que para realmente formar jogadores para a equipe de cima. Falta um preparo maior, aplicação nos fundamentos para cada posição, etc.

Boquita, por já ser um jogador mais pronto, foi alçado ao time principal assim que chegou. Foi titular por muitas partidas do Corinthians no Paulistão, e manteve uma certa regularidade. Perdeu a posição não por ter caído de produção, mas pelo esquema tático que melhor se encaixou no Corinthians. Mas e os outros? Que não estão tão prontos?

Mano Menezes trabalha estes jogadores no dia-a-dia. Treinamentos, ambientação ao futebol profissional, a forma de se jogar, o contato físico mais intenso e a ainda deficiência muscular imposta pela idade dificultam uma inserção rápida desses jogadores ao jogo, e ainda mais a titularidade, salvo algumas exceções.

Um bom exemplo é o zagueiro Renato. Ele passou um ano treinando junto ao time profissional antes d ser alçado como titular no último domingo, no clássico contra o Santos. E foi muito bem. O zagueiro mostrou-se calmo e firme nas jogadas. Em momento algum lhe faltou a "malícia" a percepção que um zagueiro deve ter. Não se viu um jovem ainda inocente. Viu-se um jogador de futebol.

Ouvi de muitos amigos que o Mano era burro por não ter já lançado Bruno Bertucci e Marcelinho ao time. Mas quem convive com eles todo santo dia é Mano Menezes. Quem sabe se os meninos estão prontos é o treinador. E assim, além de uma carreira vitoriosa no Corinthians, Mano vem se mostrando um ótimo gerenciador de talentos. Tanto dos já consagrados como Ronaldo, quanto dos ainda anônimos, como Marcelinho, Renato e o recém promovido Jadson.

Amigos corintianos, não se preocupem. Mano sabe a hora certa de apostar em um garoto.

Mano já é um dos grandes e tem tudo para ser dos maiores.


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Corinthiano Apostólico Romano, trabalhador do petróleo brasileiro, empreendedor da Santa Querupita Clothing Co., fotógrafo, corredor, mountain biker, Lu Patinadora e apaixonado pela Ilanna.

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