Quando a justiça se faz de cega

Muito já se falou do "Caso Oruro", mas nada aconteceu. Nada mudou. Nem a família teve seu filho Kevin de volta, nem a situação dos corinthianos presos mudou.

Reproduzo aqui o Editorial da Rádio Bandeirantes sobre a situação do 12 corintianos presos na Bolívia:
Os 12 brasileiros mantidos numa prisão do interior da Bolívia, desde o final de fevereiro, são vítimas de uma flagrante aberração jurídica e do desrespeito aos mais elementares princípios humanitários.
Acusados genericamente pela morte lamentável de um jovem durante um jogo de futebol, estes torcedores do Corinthians estão abandonados nas celas, sem culpa formada, sem provas consistentes e, o que é pior: sem que seus advogados tenham sequer acesso aos autos – se é que existem autos formalizados. E mais: esta situação absurda pode durar dois anos.
Ninguém seria contra a condenação de um culpado por métodos adequados e civilizados, mas este processo selvagem de encarceramento, baseado numa acusação coletiva imprecisa, em total afronta ao direito universal e ao pacto de San José de Costa Rica, do qual a Bolívia é signatária, revolta e deixa chocado o nosso país.
As autoridades de Brasília pouco fazem, além de frases diplomáticas nada convincentes.
Os brasileiros indignados exigem ação, pressão corajosa sobre o governo da Bolívia, em nome da dignidade humana.
Esta é a opinião do Grupo Bandeirantes de Comunicação.

Acho que ninguém escreveu tão bem sobre o caso. A opinião do Grupo Bandeirantes também é a minha, mas esta vista grossa que as autoridades brasileiras fazem com relação ao caso, dando declarações vagas e não fazendo absolutamente nada para que essa situação mude, passa por um outro problema: o clubismo.

Tirando os corinthianos, o resto do Brasil acha que "se é corinthiano merece estar preso". Corinthiano é tudo bandido, não é? Não. Não é. A massa corinthiana é sim de origem mais humilde. Consequentemente também é um clube de excluídos socialmente e que tem em sua torcida bandidos, traficantes, assassinos e ladrões de galinha. Assim como em todas as outras torcidas do Brasil, em maior ou menor quantidade. Agora, o esteriótipo do corinthiano deve prevalecer para a justiça? Pior, o ódio entre torcidas se sobrepõe à vida de 12 pessoas? Ninguém defende assassino. Mas foram 12 mãos acendendo o sinalizador? Quais são as provas? Quais são os flagrantes destas 12 pessoas com suas vidas em risco na Bolívia?

Agindo como idiotas, com violência moral, não se contribui em nada para a paz nos estádios, muito menos para que vivamos em um mundo melhor. Triste é ver que a sociedade em que vivemos está cada dia mais nojenta.

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Corinthiano Apostólico Romano, trabalhador do petróleo brasileiro, empreendedor da Santa Querupita Clothing Co., fotógrafo, corredor, mountain biker, Lu Patinadora e apaixonado pela Ilanna.

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