Teatro: Clitóris do Homem

Não é possível. Eu não devo ter assistido a mesma peça que o site Campinas.com.br publicou. Não pode ser. Fui enganado.

Clitóris do Homem, peça de Ton Crivelaro, terminou hoje sua passagem por Campinas na campanha de popularização do teatro promovida pela Prefeitura Municipal. A peça que segundo Suely da Silva Lima, do portal Campinas, "promete revolucionar a discussão sobre os prazeres masculinos" e "tem a proposta de surpreender o público" fez o contrário. Não poderia, tão pouco, ser chamada de "peça" já que se mostrou um show de humor sem show, infestado de clichês. Os personagens se apresentavam quase que como em uma Terça Insana e com aquela sensação de dejavu, já que as piadas repetidas a exaustão e personagens já explorados por outros comediantes não demonstraram aquela tal proposta de surpreender.

Camila Guinatti, atriz eleita revelação de 2010 pela Organização Campineira de Artes, tenta ser caricata em seus personagens, mas com tantos gritos, caretas e exageros nos movimentos em palco parecia fazer comédia infantil ou para macacos em alguma experiência comportamental quando sujeitos a estresse mental.

O texto mantém-se no limiar entre o pobre e o medíocre. Falta de pesquisa, piadas batidas e muito palavrão para parecer engraçado e impactante mostraram um autor inseguro, com medo de ousar. Apelar para o que já foi engraçado um dia significa passar 1h30 contraindo os músculos do rosto somente para bocejar. Isso porque Crivelaro foi eleito melhor ator de teatro de 2010 pela mesma organização.

Por respeito e até por esperança de ver algo ao menos razoável até o final, não fui embora nos primeiros dez minutos de peça. Ao final, vi uma fila para a próxima sessão que chegava a mais de cem metros. A minha vontade era de avisar a todos que, se pudessem, era melhor trocar o programa de sábado à noite por uma partida de dominó, buraco ou até, por pior que isso pareça, assistir Zorra Total. Ou melhor, qualquer coisa que os faça esboçar ao menos um sorriso solitário.

O que parecia ser o ponto alto de um projeto tão bacana e necessário como o de popularização do teatro, se torna o ponto mais decepcionante, afastando as pessoas que estavam dispostas a começar a pagar os valores altíssimos do teatro nacional.

Infelizmente é o teatro jogando contra o teatro.
Por hoje é só. E, com licença, que afagar minha decepção indo à locadora alugar qualquer comédia Z para finalmente rir pagando pouco.


3 comentários:

  1. Pena que vc nao assistiu a sessao q veio depois da sua. Foi bem melhor!

    O teatro pop é feito disso mesmo, pra povo rir.
    Nao entre num espetaculo da campanha de popularizacao esperando ver algo revolucionario. VC tinha essa esperanca pq obviamente vc nao frequenta teatro. SE frequenta nao entendeu nada até hj.

    Criticar o trabalho alheio num blog é bem fácil, cara. DAí a fazer algo pra melhorar alguma coisa, ai já daria mais trabalho, né?
    abraços,
    Gabriel, musico da peça q vc tanto odiou.

    ResponderExcluir
  2. Olá, Gabriel. Obrigado pelo acesso.

    Eu discordo de você em alguns pontos. Teatro popular não é só pra fazer o povo rir. Isso é dizer que o povo é burro e incapaz de entender algo mais elaborado. O que não é verdade.

    Em Brasília, por exemplo, em campanhas de popularização do teatro, trouxeram várias grandes peças com atores da primeira linha de atores nacionais. E não cobraram rios de dinheiro. Não. Foi coisa de 10 Reais no máximo.
    O que vocês fizeram no palco (não você específicamente), foi "macaquice", exagerada de uma maneira circense sem a qualidade do circo.

    Já assisti ótimas peças, mas realmente não vou ao teatro com frequência. Não por não gostar, muito menos por não entender. Não frequento porque os preços do teatro nacional são impraticáveis para a grande maioria da população, infelizmente. E infelizmente também, em uma campanha de popularização do teatro, seja exibida uma peça pobre em qualidade como a de vocês, o que faz a população não dar o valor que o teatro tem, muito menos pensar em pagar as altas quantias para ir à uma peça de qualidade.

    Não esperava algo revolucionário em sua peça. Até porque não gosto de nada revolucionário, apesar de em seu release estar a seguinte frase: "promete revolucionar a discussão sobre os prazeres masculinos", como citei no texto.

    Não assisti a peça como convidado nem devo nada aos atores e aos produtores/diretores da peça. Paguei para assistir e tenho o direito, como qualquer pessoa neste nosso país democrático e com liberdade de expressão, de criticar o que vi por qualquer que seja o meio.

    Você diz que criticar é fácil, mas fazer algo pra melhorar é difícil, não é? Pois você se engana. O que devo fazer? Dar aulas de interpretação? Não, fiz a minha parte que é pagar e assistir a peça.

    As críticas fazem parte de qualquer profissão, ainda mais da profissão de ator e inclusive da sua. Se for reagir mal a cada crítica ruim, você nunca evoluirá.

    Um abraço.

    ResponderExcluir
  3. ok.
    A evolução nada tem a ver com o jeito como um artista lida com a crítica.

    ResponderExcluir