Thank you, Dunga!

Ele se apegava aos resultados. Mais que isso, se apegava ao medo, vulgo cagaço, de tentar. Se apegava a jogadores com costas largas, indiscutíveis na visão da maioria, como Lúcio, Juan, Maicon, Kaká, e até mesmo ele, Luís Fabiano, para dividir a responsabilidade de gerir uma Seleção Brasileira. E nós, brasileiros, tendo que digerir, quase à fórceps, uma seleção grossa, sem talento, incapaz de resolver um jogo na base da qualidade técnica individual. Aquele papinho de fidelidade, de jogadores comprometidos, comprometeu realmente. Uma Copa do Mundo.

Deu no que deu. Eliminados pela Laranja nem tão mecânica assim.

Aí vem Mano. O Menezes, ex-Corinthians e Grêmio. A renovação, tão esperada depois da Copa de 2006, chega no escrete canarinho. Sim, porque a Dunga foi dado o mesmo trabalho em 2006. Renovar a Seleção. E que renovação foi essa com uma média de idade gigantesca e recheada de jogadores reservas em seus times?

E veio Menezes. O Mano. Manos dos manos paulistanos e, agora, mano dos manos brasileiros. Montou uma Seleção que os manos brasileiros gostaria de ver. Uma Seleção que privilegia o talento dos jogadores e não a burocracia de um futebol alemão. Ou melhor, do antigo futebol alemão, já que na Copa da África a Alemanha jogou um futebol muito mais brasileiro, e o Brasil, um futebol bem mais alemão.

Ninguém esperava muito da do jogo contra os Estados Unidos ontem. Até esperavam, já que nele estariam os jogadores mais talentosos do futebol nacional: os meninos da Vila Belmiro. Mas ninguém esperava espetáculo, dada a falta de entrosamento de uma Seleção que treinou apenas um dia com elenco completo, e com jogadores que mal se conheciam.

Mas o Brasil queria ver o Brasil jogar. E viu. Só o Brasil.

Nos primeiros minutos, o time americano até tentou ficar com a bola. Dez minutos depois, a supremacia de camisa amarela se instalou em Nova Jérsei, que por sinal, fica com um nome horrível em português.

O Brasil mandou no jogo. Não só mandou. Mandou, desmandou, mandou fazer, tudo que tinha e não tinha direito. O selecionado do país que, para os americanos, a capital é Buenos Aires, e que tem uma área chamada Amazônia que pertence a eles, não deixou a seleção tiosânica tocar na bola. Colocou na roda, literalmente. Coisa linda. E sempre em direção ao gol.

Dois Brasil. Zero pros isteites. E foi pouco pelo que o Brasil criou. Tal como o Santos de Robinho, Ganso, Neymar e André. Cria-se muito, perde-se muitos gols, mas a vitória vem, geralmente.

Mas quem pensa que só os meninos da Vila é que jogaram, ledo engano. Ótimas surpresas para nós, brasileiros. Já que na Europa, todos já os conhecem. David Luís. Zagueiro seguro, junto com Thiago Silva, tem tudo pra ser uma bela zaga. Apresentados um ao outro anteontem, tiveram algumas falhas de entrosamento. Nada que apagasse o brilho de suas atuações.
Lucas, primeiro volante classudo. Não fez chover por um acaso. Jogou muita bola, dando qualidade na saída de bola, quase que inexistente na antiga Seleção de Felipes Melos.
Ramirez e Robinho ditando o jogo ao lado de Paulo Ganso. André Santos dando um salto de qualidade no lado esquerdo brasileiro. Pato se movimentando muito, como se fosse sua primeira convocação. Toques de primeira, envolventes.

Foi bom. Foi muito bom ter voltado a sentir vontade, torcer pela Seleção nacional com gana. Uma torcida diferente, de quem finalmente se identifica com o futebol mostrado em campo.

Obrigado Dunga. Por seu futebol anão. Obrigado por ter feito tudo errado e permitido essa mudança drástica. Porque uma vitória sua na Copa, e tudo seria maquiado novamente.

Devemos essa ao Dunga. Pois em 2014 não teremos somente futebol. Teremos arte dentro do relvado.


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Corinthiano Apostólico Romano, trabalhador do petróleo brasileiro, empreendedor da Santa Querupita Clothing Co., fotógrafo, corredor, mountain biker, Lu Patinadora e apaixonado pela Ilanna.

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