SPFC - Uma tragédia anunciada

Não é de hoje que escutamos falar que o time do São Paulo é previsível. A imprensa esportiva já cantarolava esta canção há muito tempo. A dependência da bola parada, o meio campo sem criatividade, as improvisações.

Pois bem, todo esse blá blá blá só foram blá blá blás até hoje porque o time foi hexacampeão brasileiro, campeão disso, campeão daquilo. Todos os campeonatos conquistados pelo São Paulo foram sob a desconfiança de um time cheio de defeitos que por fim não se mostravam tão relevantes assim.

Até hoje. Verbos no passado.

Eliminado pelo Corinthians com duas derrotas no Paulistão. Eliminado na Libertadores depois de ter ido mal na competição. Mal no Brasileiro. Os tempos parecem ser outros nas bandas do Morumbi.

Nem as bolas paradas entram mais. Jorge Vagner não anda em sua melhor fase para cruzamentos na área. Washington e Borges estão em fases piores. O meio campo é o mesmo sem criatividade de outrora. A defesa, que era sólida e base do time não mostra mais a mesma eficiência.

A dúvida da diretoria é se caça as bruxas responsáveis pela má fase do Tricolor ou se tenta ajudar os que calçam as chuteiras. Contrataram o Ricardo Gomes, técnico que não obteve sucesso em time algum. Criticado em sua campanha em Olimpíada pela Seleção. De contratações, somente Marlos, jovem promessa do Coritiba, que parece ser bom jogador, mas longe de ser uma solução para a equipe.

Há quem diga que o trabalho nas categorias de base do São Paulo não é bom, o que discordo parcialmente. Acho que poderia ser melhor, mas podemos ver nitidamente bons jogadores que, por exemplo, foram muito bem na Copa São Paulo deste ano. Jovens jogadores que não devem ser utilizados agora, com o time em baixa. Jogadores novos deviam ser inseridos no grupo nestes anos de alta no futebol tricolor.

E aí é que vai por água a baixo aquela fama de planejadores dos cartolas e comissão técnica são-paulina. Muricy fez um ótimo trabalho, isto é fato. Mas o sistema de trabalho que o São Paulo adotou tinha prazo de validade. Era óbvio que uma hora as coisas não iriam mais pra frente. As últimas contratações de jogadores foram tiros n'agua. Arouca, contratado a peso de ouro, nunca se firmou. Washington foi mais um revide à contratação de Ronaldo que uma contratação pensada. Hoje se assemelha ao futebol apresentado por um Souza. Dezenas de laterais direito foram contratados e nenhum vingou. Zé Luis, o volante, continua quebrando o galho na lateral.

Muricy se foi. Veio Ricardo Gomes. O esquema mudou. De 3-5-2 para o 4-4-2. André Dias, até então, um dos melhores defensores, se mostrou inseguro jogando na quarta zaga. Os laterais tem que voltar mais, tudo mudou. Nada mudou. O time não melhorou, porque este tipo de mudança tática demanda tempo para treinamentos e assimilação dos jogadores, tão acostumados ao Muricy style.

Ia me esquecendo. Uma coisa não mudou. A dupla de ataque. Borges e Washington batem cabeça, quando não a canela. Só há lugar para um dos dois no time, porém vai técnico, vem técnico e os dois estão ali. Isto porque no São Paulo não há substitutos. Não há jogadores de mobilidade, velocidade. O único, Dagoberto, não jogou nada do que tanto prometeu até hoje. Joga mais com os cotovelos nos adversários que com a bola no pé.

Este declínio já era previsto, mas foi alavancado pela lesão de Rogério Ceni. Sem o capitão em campo, parece que o time não se sente confiante. Ele, que não vinha inspirando confiança de ninguém, depois de colecionar frangos e lances bizarros nas competições que disputou esse ano.

Rogério Ceni não é Betão, não é Eterno. Assim como Juvenal Juvêncio, Leco e Marco Aurélio Cunha. Mano Menezes já dizia: "Nós estamos de passagem. Quem fica é o Clube". E o que a diretoria do São Paulo me passa é que todos trabalham para seu próprio êxito, não para o Clube. Estes vão passar, mas e o Clube?

As evidências são de uma tragédia anunciada. Cabe ao São Paulo mudar este destino obscuro. Reformular, tanto elenco quanto corpo diretivo. Do contrário, as trevas puxarão os pés tricolores.

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Corinthiano Apostólico Romano, trabalhador do petróleo brasileiro, empreendedor da Santa Querupita Clothing Co., fotógrafo, corredor, mountain biker, Lu Patinadora e apaixonado pela Ilanna.

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